Pequeno comentário feito por
DeLong, abordando a ?problemtática? dos macroeconomistas frente à crise, que ele
já nomeia como ?crise de liquidez 2007-2009?:
?Não é uma boa época para ser um teórico da macroeconomia:
- Textos intermediários não
resolvem;
- Textos de introdução
resolvem menos ainda;
- Listas de leitura da
graduação não ajudam muito...?
Demetrio Carneiro
Conveniente acrescentar
que a dívida dos municípios, que aparecem na NFSP, e, portanto, formam o superávit
ou déficit primário, são as dívidas fundadas. O apelo para manter os investimentos em
infraestrutura fala de uma formação de dívida que não é contabilizada pelo
Banco Central, a chamada dívida não fundada, com fornecedores e empreiteiros.
As dívidas criadas não aparecerão nas estatísticas oficiais, pelo menos de imediato, enquanto forem não fundadas, não afetando o
superávit primário.
Demetrio Carneiro
Embora já tenha indicado o
interesse de resolver o problema do Oriente Médio, segundo o Blog do Ari Cunha, o que talvez explique a súbita saída de Fernando de
Noronha para a Bahia, o fato é que o presidente poderia começar por resolver o
problema mais próximo do Mercosul.
Originalmente criado com o
objetivo de facilitar o trânsito comercial entre os países da região não
cumpriu essa meta e está muito longe de alcançá-la. Nesse momento de
dificuldades na economia internacional um acordo regional que quebrasse barreiras tarifárias seria de
bom tamanho.
Até aqui a associação tem
servido de palco político, para mostrar nossa independência com relação aos países
desenvolvidos ou dar suporte, também político, para outros países, no caso
atual a Venezuela, mas a questão central da dupla tributação ficou encalhada
por força dos interesses paraguaios e assim permanecerá pelo visto, já que esse
semestre a presidência da associação é paraguaia.
- E nós temos obrigação
política, econômica, moral, ética, de ajudar esses países a se desenvolverem, a
comercializar com eles. Porque não tem sentido o Brasil ficar apenas
comercializando com os países ricos - afirmou Lula. A fala, registrada pelo JB
On line, indica uma intenção evidente, aparentemente fundada numa noção de
dívida histórica. Sem questionar, agora, o fundamento desse raciocínio que nos coloca
como devedores, vale, pelo menos, comentar que o comércio internacional costuma
funcionar sobre bases bem mais objetivas.
Demetrio Carneiro
Reforma tributária encabeça lista de propostas polêmicas no Congresso - Correio Braziliense.com
Ainda sobre o interessante
debate " Keynesianos vs. Neoclássicos (e a) na Crise" : VIII -
Comentários adicionais do diplomata Paulo Roberto de Almeida
Se ouso acrescentar um
comentário adicional, nao dirigido a qualquer um dos participantes deste
"debate", seria este:
Economia é algo essencialmente
dinâmico, e isto é uma grandíssima tautologia, obviamente.
Sendo assim, pela simples lógica
formal, querer aplicar soluções desenhadas para uma determinada conjuntura econômica
em outra, posterior, deve ser um grandíssimo equivoco, supostamente.
As "leis" econômicas
não funcionam, obviamente, como as leis da física, e as elegantes equações de
neokeynesianos tentando "demonstrar" uma determinada relação entre
investimento, poupança, demanda e oferta agregadas, ou qualquer outra situação
de indução por mecanismos fiscais, monetários ou cambiais, são necessariamente
limitadas.
Constrange, também, ler
repetidamente, sobre as "geniais" soluções de Keynes para a
reconstrução monetária e financeira do mundo no contexto de 1944-45, quando o
velho economista de Cambridge estava, sobretudo, querendo aliviar a situação da
Inglaterra, que precisava urgentemente, naquele contexto, de uma tia rica que
lhe cobrisse o cartão de credito ou o cheque especial, na situação de penúria
de divisas em que o pais vivia. O que ele propôs, resumidamente, foi uma
espécie de vasos comunicantes automáticos, pelo qual os paises credores, ou
excedentários (EUA) financiariam "sem dor" os paises deficitários
(UK). Os EUA, simplesmente se recusaram em ser essa tia generosa, ainda que
tenham sido extremamente generosos no Plano Marshall.
As lições, mas não as
soluções, se aplicam ainda hoje: desequilíbrio? Aperte o cinto e restabeleça o
seu próprio equilíbrio...
Quaisquer que sejam as profissões,
alguns economistas, jornalistas, acadêmicos ou políticos, estão sempre querendo
soluções mágicas para os desequilíbrios da economia. Elas não existem, mas as
pessoas poderiam aprender com os erros do passado e não cometer novos erros...
Paulo Roberto de Almeida
Prezados Senhores Mauricio
David, Paulo Roberto de Almeida e demais colegas,
Sou aluno do doutorado da
FGV-EESP e venho acompanhando os debates iniciados com o artigo do meu colega
Flavio Basílio, da UnB, publicado no Valor Econômico. Acredito que os debates devem estar focados
em idéias e não em preconceitos de natureza ideológica ou balizados na falta de
conhecimento a respeito da teoria ou da história econômica. Muitos dos
comentários têm se mantido dentro dessa lógica, o que é bom.
Nesse contexto, venho
contribuir rapidamente adicionando alguns comentários à réplica do Sr. Paulo
Roberto de Almeida aos argumentos colocados, até o momento, pelos participantes
do debate.
Em primeiro lugar, me
surpreendeu a afirmação do Sr. Paulo Almeida de que é uma tautologia dizer que
a economia é uma disciplina dinâmica. Com efeito, a teoria neoclássica, suporte
teórico das posições ditas liberais ou ortodoxas, se originou na década de 1870
a partir dos trabalhos de Jevons, Menger e Walras, tendo como preocupação
fundamental a questão da alocação de uma dada quantidade de recursos entre
necessidades alternativas. No front keynesiano, coube aos seguidores de Keynes,
especialmente Harrod, Kaldor e Joan Robinson redirecionar a agenda de pesquisa
em economia para o estudo da questão do ritmo de criação de recursos, na
tradição do pensamento clássico, dando origem ao que podemos chamar de
"teoria da dinâmica econômica". Macroeconomia séria é dinâmica,
portanto.
Agora, a dinamicidade dos
fatos e seus acontecimentos é quadro bem diverso do que chamamos de dinâmica em
teoria. Os fatos mudam, mas algumas características fundamentais da economia
permanecem, ou são cíclicas. São coisas diferentes, a dinâmica na teoria
macroeconômica e a "dinâmica dos fatos", como parece sugerir o
comentário de Almeida, algo como "a realidade vive mudando". Não é
bem assim. Aprender com o passado pode significar não ser um "dinâmico
recriador da roda contra a maré".
Defesas de soluções do tipo
"apertar o cinto para corrigir o desequilíbrio" na crise atual, como
pode se depreender dos argumentos do Sr Paulo Almeida e que são,
essencialmente, não-intervenção do Estado na economia, redução de gastos dos
agentes econômicos, e etc, foram políticas naïve tentadas pela administração
Hoover nos Estados Unidos no início da década de 1930. O resultado foi um retumbante
fracasso. Essas soluções apenas aumentaram o desemprego e a depressão. Foram as
tímidas políticas keynesianas de expansão da demanda agregada iniciadas pela administração
Roosevelt que impulsionaram a economia norte-americana, embora a volta ao
crescimento robusto só tenha ocorrido em função dos gastos dezenas de vezes
maiores em função da segunda guerra mundial.
Por fim, se o mundo extraiu
alguma lição da Grande Depressão de 1929 é que crises - em especial aquelas da
natureza da crise atual - são resolvidas quando os agentes econômicos, no seu
conjunto, resolvem gastar mais, ao invés de gastar menos, pelos motivos que
Keynes deixou bem claro com relação ao papel da recessão sobre as expectativas
dos investidores. Os gastos não são panacéia, são medidas adequadas a períodos
excepcionais, que trazem sintomas característicos de desarranjo do
comportamento do capitalismo internacional semelhantes àqueles vividos na época
de Keynes. É isso o que todos os governos do mundo estão fazendo no momento e é
isso o que o governo brasileiro deve fazer agora.
Saudações Cordiais,
Marcos Rocha
O PAC empacou - Blog do Noblat/Veja
Podemos estar contribuindo
para uma certa tradição em que o governo federal assume a dívida dos entes
subnacionais.....uma longa história de situações onde o estímulo ao gasto
municipal pode acabar em formação de dívida pública municipal que acaba
pactuada com o governo federal e termina no bolso do contribuinte.
No final do dia alguém tem
que pagar a conta. Pode-se argumentar que o que se faz, formar dívida, é feito
em benefício do próprio contribuinte, mas também podemos argumentar que a
cidadania é a última a saber dessas coisas e da pior forma... A autoridade
decide, faz, e espera que, lá na frente, ou dê certo ou o contribuinte não se de
conta do que realmente ocorreu.
Na inexistência de um controle social efetivo desse tipo de movimentação, governo central e o Congresso Nacional, ela é feita apenas à partir da capacidade discricionária do primeiro. E quem disse que o governo, apenas por ser governo está certo?
Demetrio Carneiro
Crise derruba a balança comercial - JB On line/Terra
Uma parte da história recente, no formato como foi reescrita pelo
pensamento petista, indica que a economia brasileira iniciou um ciclo virtuoso
em 2004 e que nele pode permanecer. A chave estaria no gasto. Os indivíduos
deveriam permanecer gastando, para isso todo um conjunto de medidas foi tomado
no sentido de garantir o crédito ao consumidor. O Estado deveria permanecer
gastando.
Evidentemente a permanência do ciclo, apesar da crise
internacional, seria a vitória final e a garantia não só da intocabilidade da
imagem de Lula, como a eleição de um sucessor saído do círculo palaciano. Ou,
como disse Lula recentemente: ?-Perdoem meus amigos da oposição, mas nós vamos
ganhar...?.
Desfrutando de férias na paradisíaca Fernando de Noronha, talvez
Lula tenha dito o que disse com o pensamento voltado para a tese do ciclo
virtuoso. Ao criticar os novos prefeitos que decidiram iniciar suas gestões com
cortes no orçamento público fez um diferencial entre gastos de custeio e gastos
de investimento, sugerindo que cortes nesse último seriam prejudiciais, já que:
?...Nós vamos combater essa crise internacional fazendo mais investimento, mais
ferrovia, mais rodovia, mais escola. Porque é assim que a gente combate a
crise.?( Correio Braziliense, 03.01.2009).
Vistas as coisas como uma opção possível entre dois tipos de corte
é evidente que seria melhor um corte no custeio. Também é evidente que o
investimento em infra-estrutura tem externalidades positivas de longo prazo que
não podem ser desprezadas. Sendo assim: ?Não acho que nenhum prefeito,
governador, e muito menos o governo federal, deva parar qualquer obra de
infraestrutura.? (sic- matéria já citada). Colocado nesse formato o raciocínio
parece válido. Contudo, da mesma forma que o estímulo ao consumo individual
pode soar como irresponsabilidade, o estímulo ao gasto, mesmo em investimento,
tem que ser avaliado à luz da possível queda de receita dos municípios. A opção
de cortar impostos e não contribuições, feita pelo governo federal, como forma
de utilizar o corte de tributos como estímulo à venda de automóveis, por si só
já implica em redução de transferência para estados e municípios.
Talvez o presidente tenha dito o que disse de olho no PAC e na
necessidade de garantir remanejamento de recursos, mesmo que às custas das
emendas parlamentares. Talvez perceba mesmo a necessidade de um diálogo direto
entre a entidade nacional e as subnacionais. De qualquer forma, quando for
falar a prefeitos, no próximo dia 12 de fevereiro, deverá estar preparado para
responder a cada um deles de onde sairão os recursos para manter os
investimentos em infra-estrutura nos municípios brasileiros.
Falar em manter gastos
governamentais em qualquer nível federativo implica, nesse momento, em explicar
de onde virão os recursos. A insistência em manter o Fundo Soberano mesmo que
para isso seja necessário cria dívida pública dá uma pista.
Demetrio
Carneiro
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