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09 de setembro de 2010
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Blog do Demetrio Carneiro

Brasilia, DF, 59, graduado em economia, especialista e pesquisador em políticas públicas, professor universitário, coordenador de EAD da Fundação Astrojildo Pereira.

Postagens de Demetrio Carneiro



  • DELONG E A TEORIA MACROECONÔMICA

    0 Comentários | Postado em 06 de janeiro de 2009

    Pequeno comentário feito por DeLong, abordando a ?problemtática? dos macroeconomistas frente à crise, que ele já nomeia como ?crise de liquidez 2007-2009?:

     ?Não é uma boa época para ser um teórico da macroeconomia:

    - Textos intermediários não resolvem;

    - Textos de introdução resolvem menos ainda;

    - Listas de leitura da graduação não ajudam muito...?

    Demetrio Carneiro



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  • 122910_somewhere Conveniente acrescentar que a dívida dos municípios, que aparecem na NFSP, e, portanto, formam o superávit ou déficit primário, são as dívidas fundadas. O apelo para manter os investimentos em infraestrutura fala de uma formação de dívida que não é contabilizada pelo Banco Central, a chamada dívida não fundada, com fornecedores e empreiteiros. As dívidas criadas não aparecerão nas estatísticas oficiais, pelo menos de imediato, enquanto forem não fundadas, não afetando o superávit primário.

                                                                  Demetrio Carneiro



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  • MERCOOQUÊ?

    0 Comentários | Postado em 05 de janeiro de 2009

    990755_meeting Embora já tenha indicado o interesse de resolver o problema do Oriente Médio, segundo o Blog do Ari Cunha, o que talvez explique a súbita saída de Fernando de Noronha para a Bahia, o fato é que o presidente poderia começar por resolver o problema mais próximo do Mercosul.

    Originalmente criado com o objetivo de facilitar o trânsito comercial entre os países da região não cumpriu essa meta e está muito longe de alcançá-la. Nesse momento de dificuldades na economia internacional um acordo regional  que quebrasse barreiras tarifárias seria de bom tamanho.

    Até aqui a associação tem servido de palco político, para mostrar nossa independência com relação aos países desenvolvidos ou dar suporte, também político, para outros países, no caso atual a Venezuela, mas a questão central da dupla tributação ficou encalhada por força dos interesses paraguaios e assim permanecerá pelo visto, já que esse semestre a presidência da associação é paraguaia.

    - E nós temos obrigação política, econômica, moral, ética, de ajudar esses países a se desenvolverem, a comercializar com eles. Porque não tem sentido o Brasil ficar apenas comercializando com os países ricos - afirmou Lula. A fala, registrada pelo JB On line, indica uma intenção evidente, aparentemente fundada numa noção de dívida histórica. Sem questionar, agora, o fundamento desse raciocínio que nos coloca como devedores, vale, pelo menos, comentar que o comércio internacional costuma funcionar sobre bases bem mais objetivas.

    Demetrio Carneiro



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  • LINKS DO DIA

    0 Comentários | Postado em 05 de janeiro de 2009

    Reforma tributária encabeça lista de propostas polêmicas no Congresso - Correio Braziliense.com

    A lista das propostas polêmicas que prometem se arrastar ao longo do ano no Senado e na Câmara é encabeçada pela reforma tributária, que até agora caminhou lentamente por conta de divergências levantadas pelos governadores. A principal controvérsia é a alteração no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Temendo perder receita, governadores do Sudeste afirmam ser necessário fazer ajustes na proposta. 

    Senador Pedro Simon dá o brado de revolta - Blog do Ari
    "Prefiro os decretos das ditaduras ás MP do atual governo" disse o senador Pedro Simon ao negar existência legal a tantos pedidos do presidente Lula da Silva.

    O Brasil e a crise: concentração bancária - Blog do Vicente
    No dia 3 de novembro de 2008, quando foi surpreendido pela fusão entre o Itaú e o Unibanco, o mercado bancário brasileiro selou seu futuro, marcado por uma grande e irreversível onda de concentração. A expectativa, expressada pelo presidente do Itaú, Roberto Setúbal, durante o nascimento da maior instituição financeira da América Latina, com seus ativos de R$ 572 bilhões, é de que, no máximo, seis bancos dominem o sistema. 

    Mercado volta com PIB a 2,40% e reduz produção industrial - Miriam Leitão.com
    Depois de subir na semana passada a projeção do PIB 2009 de 2,40% para 2,44%, o mercado esta semana reduziu novamente a estimativa para 2,40%. É o que mostra a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira.

    Demanda por minério cai 70% no Brasil - Miriam Leitão.com
    Um dos pontos-chave para o desempenho da economia brasileira em 2009 é o comportamento dos preços das commodities. O Brasil é um grande exportador de matéria-prima e nossas principais indústrias estão ligadas a esse setor.

    Crise deve elevar inadimplência em 2009 - Folha On line
    Depois de oferecerem crédito facilitado e com prazos longos, os bancos devem amargar maior inadimplência neste ano, informaram Juliana Rocha, Ney Hayashi da Cruz e Julianna Sofia na edição da Folha de hoje. 

    A nova onda da crise - Folha On line
    Passados os últimos três meses de 2008, quando a economia dos EUA foi violentamente atingida pela secura de crédito e dinheiro vivo entre bancos e empresas, uma nova onda da atual crise já se forma no horizonte.Preventivamente ou por falta de liquidez, bancos e empresas estão cortando cada vez mais o crédito a seus clientes. Aos que, afinal, fazem a economia girar: os consumidores.


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  • Ainda sobre o interessante debate " Keynesianos vs. Neoclássicos (e a) na Crise" : VIII - Comentários adicionais do diplomata Paulo Roberto de Almeida

     Se ouso acrescentar um comentário adicional, nao dirigido a qualquer um dos participantes deste "debate", seria este:

    Economia é algo essencialmente dinâmico, e isto é uma grandíssima tautologia, obviamente.

    Sendo assim, pela simples lógica formal, querer aplicar soluções desenhadas para uma determinada conjuntura econômica em outra, posterior, deve ser um grandíssimo equivoco, supostamente.

    As "leis" econômicas não funcionam, obviamente, como as leis da física, e as elegantes equações de neokeynesianos tentando "demonstrar" uma determinada relação entre investimento, poupança, demanda e oferta agregadas, ou qualquer outra situação de indução por mecanismos fiscais, monetários ou cambiais, são necessariamente limitadas.

    Constrange, também, ler repetidamente, sobre as "geniais" soluções de Keynes para a reconstrução monetária e financeira do mundo no contexto de 1944-45, quando o velho economista de Cambridge estava, sobretudo, querendo aliviar a situação da Inglaterra, que precisava urgentemente, naquele contexto, de uma tia rica que lhe cobrisse o cartão de credito ou o cheque especial, na situação de penúria de divisas em que o pais vivia. O que ele propôs, resumidamente, foi uma espécie de vasos comunicantes automáticos, pelo qual os paises credores, ou excedentários (EUA) financiariam "sem dor" os paises deficitários (UK). Os EUA, simplesmente se recusaram em ser essa tia generosa, ainda que tenham sido extremamente generosos no Plano Marshall.

    As lições, mas não as soluções, se aplicam ainda hoje: desequilíbrio? Aperte o cinto e restabeleça o seu próprio equilíbrio...

    Quaisquer que sejam as profissões, alguns economistas, jornalistas, acadêmicos ou políticos, estão sempre querendo soluções mágicas para os desequilíbrios da economia. Elas não existem, mas as pessoas poderiam aprender com os erros do passado e não cometer novos erros...

    Paulo Roberto de Almeida




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  • Prezados Senhores Mauricio David, Paulo Roberto de Almeida e demais colegas,

    Sou aluno do doutorado da FGV-EESP e venho acompanhando os debates iniciados com o artigo do meu colega Flavio Basílio, da UnB, publicado no Valor Econômico.   Acredito que os debates devem estar focados em idéias e não em preconceitos de natureza ideológica ou balizados na falta de conhecimento a respeito da teoria ou da história econômica. Muitos dos comentários têm se mantido dentro dessa lógica, o que é bom.

    Nesse contexto, venho contribuir rapidamente adicionando alguns comentários à réplica do Sr. Paulo Roberto de Almeida aos argumentos colocados, até o momento, pelos participantes do debate.

    Em primeiro lugar, me surpreendeu a afirmação do Sr. Paulo Almeida de que é uma tautologia dizer que a economia é uma disciplina dinâmica. Com efeito, a teoria neoclássica, suporte teórico das posições ditas liberais ou ortodoxas, se originou na década de 1870 a partir dos trabalhos de Jevons, Menger e Walras, tendo como preocupação fundamental a questão da alocação de uma dada quantidade de recursos entre necessidades alternativas. No front keynesiano, coube aos seguidores de Keynes, especialmente Harrod, Kaldor e Joan Robinson redirecionar a agenda de pesquisa em economia para o estudo da questão do ritmo de criação de recursos, na tradição do pensamento clássico, dando origem ao que podemos chamar de "teoria da dinâmica econômica". Macroeconomia séria é dinâmica, portanto.


    Agora, a dinamicidade dos fatos e seus acontecimentos é quadro bem diverso do que chamamos de dinâmica em teoria. Os fatos mudam, mas algumas características fundamentais da economia permanecem, ou são cíclicas. São coisas diferentes, a dinâmica na teoria macroeconômica e a "dinâmica dos fatos", como parece sugerir o comentário de Almeida, algo como "a realidade vive mudando". Não é bem assim. Aprender com o passado pode significar não ser um "dinâmico recriador da roda contra a maré".

    Defesas de soluções do tipo "apertar o cinto para corrigir o desequilíbrio" na crise atual, como pode se depreender dos argumentos do Sr Paulo Almeida e que são, essencialmente, não-intervenção do Estado na economia, redução de gastos dos agentes econômicos, e etc, foram políticas naïve tentadas pela administração Hoover nos Estados Unidos no início da década de 1930. O resultado foi um retumbante fracasso. Essas soluções apenas aumentaram o desemprego e a depressão. Foram as tímidas políticas keynesianas de expansão da demanda agregada iniciadas pela administração Roosevelt que impulsionaram a economia norte-americana, embora a volta ao crescimento robusto só tenha ocorrido em função dos gastos dezenas de vezes maiores em função da segunda guerra mundial.

    Por fim, se o mundo extraiu alguma lição da Grande Depressão de 1929 é que crises - em especial aquelas da natureza da crise atual - são resolvidas quando os agentes econômicos, no seu conjunto, resolvem gastar mais, ao invés de gastar menos, pelos motivos que Keynes deixou bem claro com relação ao papel da recessão sobre as expectativas dos investidores. Os gastos não são panacéia, são medidas adequadas a períodos excepcionais, que trazem sintomas característicos de desarranjo do comportamento do capitalismo internacional semelhantes àqueles vividos na época de Keynes. É isso o que todos os governos do mundo estão fazendo no momento e é isso o que o governo brasileiro deve fazer agora.

    Saudações Cordiais,

    Marcos Rocha




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  • LINK DO DIA

    0 Comentários | Postado em 04 de janeiro de 2009

    O PAC empacou - Blog do Noblat/Veja

    O próprio governo reconhece que o PAC está longe de atingir seus objetivos ambiciosos. Um eventual fracasso do programa pode tornar mais acidentado o caminho de Dilma Rousseff rumo ao Planalto em 2010

    The Sharp-Eyed Tyler Cowen... - Grasping Reality
    ...is the first person to ever explain chapter 4 of Keynes's General Theory to me.

    Ipea estima queda de mais de 7% na produção industrial - Miriam Leitão.com
    O início do ano será de divulgação de indicadores ruins. Isso porque esse números estão relacionados ao final do ano passado, quando a crise financeira internacional atingiu também o Brasil.


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  • 122910_somewhere Podemos estar contribuindo para uma certa  tradição  em que o governo federal assume a dívida dos entes subnacionais.....uma longa história de situações onde o estímulo ao gasto municipal pode acabar em formação de dívida pública municipal que acaba pactuada com o governo federal e termina no bolso do contribuinte.

    No final do dia alguém tem que pagar a conta. Pode-se argumentar que o que se faz, formar dívida, é feito em benefício do próprio contribuinte, mas também podemos argumentar que a cidadania é a última a saber dessas coisas e da pior forma... A autoridade decide, faz,  e espera que, lá na frente, ou dê certo ou o contribuinte não se de conta do que realmente ocorreu.

    Na inexistência de um controle social efetivo desse tipo de movimentação, governo central e o Congresso Nacional,  ela é feita apenas à partir da capacidade discricionária do primeiro. E quem disse que o governo, apenas por ser governo está certo?

    Demetrio Carneiro



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  • LINK DO DIA

    0 Comentários | Postado em 03 de janeiro de 2009

    Crise derruba a balança comercial - JB On line/Terra

    A balança comercial brasileira fechou 2008 com o pior resultado desde 2002, devido ao forte aumento das importações no ano.


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  • DIRETO DO PARAÍSO

    0 Comentários | Postado em 03 de janeiro de 2009

    122910_somewhere Uma parte da história recente, no formato como foi reescrita pelo pensamento petista, indica que a economia brasileira iniciou um ciclo virtuoso em 2004 e que nele pode permanecer. A chave estaria no gasto. Os indivíduos deveriam permanecer gastando, para isso todo um conjunto de medidas foi tomado no sentido de garantir o crédito ao consumidor. O Estado deveria permanecer gastando.

    Evidentemente a permanência do ciclo, apesar da crise internacional, seria a vitória final e a garantia não só da intocabilidade da imagem de Lula, como a eleição de um sucessor saído do círculo palaciano. Ou, como disse Lula recentemente: ?-Perdoem meus amigos da oposição, mas nós vamos ganhar...?.

    Desfrutando de férias na paradisíaca Fernando de Noronha, talvez Lula tenha dito o que disse com o pensamento voltado para a tese do ciclo virtuoso. Ao criticar os novos prefeitos que decidiram iniciar suas gestões com cortes no orçamento público fez um diferencial entre gastos de custeio e gastos de investimento, sugerindo que cortes nesse último seriam prejudiciais, já que: ?...Nós vamos combater essa crise internacional fazendo mais investimento, mais ferrovia, mais rodovia, mais escola. Porque é assim que a gente combate a crise.?( Correio Braziliense, 03.01.2009).

    Vistas as coisas como uma opção possível entre dois tipos de corte é evidente que seria melhor um corte no custeio. Também é evidente que o investimento em infra-estrutura tem externalidades positivas de longo prazo que não podem ser desprezadas. Sendo assim: ?Não acho que nenhum prefeito, governador, e muito menos o governo federal, deva parar qualquer obra de infraestrutura.? (sic- matéria já citada). Colocado nesse formato o raciocínio parece válido. Contudo, da mesma forma que o estímulo ao consumo individual pode soar como irresponsabilidade, o estímulo ao gasto, mesmo em investimento, tem que ser avaliado à luz da possível queda de receita dos municípios. A opção de cortar impostos e não contribuições, feita pelo governo federal, como forma de utilizar o corte de tributos como estímulo à venda de automóveis, por si só já implica em redução de transferência para estados e municípios.

    Talvez o presidente tenha dito o que disse de olho no PAC e na necessidade de garantir remanejamento de recursos, mesmo que às custas das emendas parlamentares. Talvez perceba mesmo a necessidade de um diálogo direto entre a entidade nacional e as subnacionais. De qualquer forma, quando for falar a prefeitos, no próximo dia 12 de fevereiro, deverá estar preparado para responder a cada um deles de onde sairão os recursos para manter os investimentos em infra-estrutura nos municípios brasileiros.

     Falar em manter gastos governamentais em qualquer nível federativo implica, nesse momento, em explicar de onde virão os recursos. A insistência em manter o Fundo Soberano mesmo que para isso seja necessário cria dívida pública dá uma pista.

    Demetrio Carneiro



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