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11 de março de 2010
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Tony Volpon

tony.volpon@gmail.com
Tony Volpon é economista, com graduação na Universidade McGill e mestrado na Universidade de Western Ontario, ambos no Canadá. Autor de A Globalização e a política: de FHC a Lula (Editora Revan, 2003), trabalhou como operador de divida externa no Banco de Boston e no Banco Safra no Brasil, e como operador de derivativos de renda fixa e de cambio no Bank of America, em Chicago e Londres. Hoje é Estrategista de Renda-Fixa no Standard Chartered Bank em Nova York.


O BC como "formador de preço" no mercado de cambio


03 de junho de 2009




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Gostaria de expandir uma idéia importante que apresentei no meu ultimo post “Mais uma vez a questão do cambio e juros”.

 

Nesse post critiquei o extremismo de uma certa visão ortodoxa que o mercado livre sozinho é eficiente na fixação do nível do cambio, contra a visão desenvolvimentista/keynesiana que o Estado, via sua tecnocracia, é mais bem colocado para essa tarefa.

 

A minha proposta de ter o BC como “formador de preço” pode parecer simplesmente a conhecida noção do “dirty floating”, algo que já vemos na pratica.  Cadê a novidade?

 

Na verdade minha proposta tem a ver com o “dirty float”, (flutuação suja) mas acho que seria melhor denominado, para inventar um termo, de “directed float” (flutuação direcionada). Com isso quero dizer que a autoridade monetária, reconhecendo a importância estratégica do cambio na economia, atuaria em todas as dimensões do mercado para assim ser o mais importante, apesar de não único, formador de preço.

 

Com “formador de preço” quero dizer um agente que, frente a um conjunto de informações, decidi comprar ou vender um ativo financeiro. Um formador de preço (em inglês, “market dealer”) é o elo entre a informação/choque/novidade e o preço.

 

Qual seria a diferença da atuação do BC em um “directed float” contra um “dirty float”. No “dirty float” (como praticada no Brasil pelo menos) a autoridade monetária responde se contrapondo quando ocorre um desequilibro entre a oferta e demanda pela moeda, desequilibro que tem como resultado um aumento forte na volatilidade, gerando um mercado direcional.  O que inicia a intervenção é o desequilibro, independente do nível da moeda ou a razão.

 

Em um “directed float”, como eu a imagino, esse tipo de desequilibro não seria condição necessária nem suficiente para a autoridade monetária atuar. A autoridade monetária poderia atuar sempre que, dentro do seu julgamento, haver uma oportunidade de lucro no mercado.

 

Por que isso?  Como que tornar o BC mais um “especulador” ajudaria? Basicamente se o nível do cambio atual é insustentável, deve existir uma oportunidade de lucro. Como mostrado no importante paper de Summers et al. “Noise Trader Risk in Financial Markets”, a existência de operadores que não seguem os fundamentos junto com outros que seguem, mas sofrem restrições sobre o tamanho de suas posições, pode ser suficiente para gerar bolhas especulativas. Mas se diminuímos essas restrições, o mercado chega mais perto de ser eficiente.

 

Um banco central “formador de preço”, por não sofrer como as outras instituições a necessidade de gerar lucros no curto prazo, pode tomar posições de longo prazo que, se corretas, vão gerar lucro e, ao mesmo tempo, gerar uma maior convergência entre preço e fundamentos. O BC, como outros agentes de mercado, procuraria o lucro, mas seria diferente em não sofrer uma restrição temporal estrita para tal.

 

Se você acredita, como eu acredito, na existência de múltiplos equilíbrios, alguns mais benéficos que outros, a atuação do BC como formador de preço pode ajudar o cambio a convergir para equilíbrios mais benéficos, sustentados pelo conjunto da política econômica (ver a discussão sobre a necessidade de coordenar políticas no meu ultimo post).

 

Um BC atuante, que vai alem de meramente gerenciar as reservas, pode ser uma parte importante da solução sobre como gerenciar a questão do cambio sem cair nos extremos da flutuação quase-pura ou do cambio administrado.

 

Tony Volpon

 

 

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