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11 de março de 2010
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Tony Volpon

tony.volpon@gmail.com
Tony Volpon é economista, com graduação na Universidade McGill e mestrado na Universidade de Western Ontario, ambos no Canadá. Autor de A Globalização e a política: de FHC a Lula (Editora Revan, 2003), trabalhou como operador de divida externa no Banco de Boston e no Banco Safra no Brasil, e como operador de derivativos de renda fixa e de cambio no Bank of America, em Chicago e Londres. Hoje é Estrategista de Renda-Fixa no Standard Chartered Bank em Nova York.


Propostas de política econômica para a oposição


05 de junho de 2009




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Dizem por ai que a oposição não em proposta; dizem por ai que todos os candidatos são “desenvolvimentistas”, ou que nada de mais vai mudar em 2010.

 

Isso tudo pode ser verdade. Afinal, vide as pesquisas, a população como um todo parece contente com a situação atual; a crise econômica parece estar “esfriando”, diminuindo a vontade por mudanças e reformas em vários paises (isso esta ficando muito evidente nos EUA); e, como fica claro, o processo político brasileiro é profundamente conservador e averso a risco.

 

De fato, se era para “apostar”, a aposta racional agora é essa mesmo: ganhe quem ganhe, a tendência na economia é mais do mesmo.

 

Agora se isso não acontecer não vai ser por falta de idéias e propostas.  Acho que aqui nesse Portal, se a gente pensar sobre a soma do seu conteúdo, já temos o bastante para desenhar uma proposta alternativa para a política econômica. Vou tentar resumir o que eu vejo de mais interessante.

 

O primeiro ponto é a questão da reforma de Estado e da política como condição sina qua non de uma reforma econômica. O Estado brasileiro atual, e o processo político que o sustenta, é simplesmente muito conservador e “captado” por interesses dentro e fora da “maquina” para ser o canal para reformas econômicas mais ousadas. Tudo aqui (pense na reforma tributaria) “morre na praia” pelas inconveniências políticas e eleitorais. De fato, acredito que a grande critica que a Historia terá do Lula será porque um presidente que atingiu o nível de popularidade que ele atingiu não a usou para fazer mais; mas talvez essa pouca “produtividade” de Lula seja também culpa de um sistema que ele em nada mudou (ou ate piorou).

 

No sistema atual, grandes mudanças econômicas parecem só possíveis quando o sistema político entra em colapso. Para mim (tese que defendi no meu livro) o Plano real só aconteceu por causa do caos político causado pelo impeachment do Collor, bem aproveitado por FHC, esse sim um estadista com visão do processo histórico.

 

Mas se isso sobre a nossa política é verdade, é muito ruim, razão por qual temos que dar a reforma política e depois do Estado, prioridade total.

 

Acho que há duas outras vertentes reformistas do lado econômico que podem e devem ser trabalhadas.

 

Do lado macro, foca mais e mais claro para mim que temos que escapar o dualismo “Keynesiano x Ortodoxos” e inovar. Para mim a proposta de, no nível da CMN, gerar um nível de coordenação e programação entre as políticas monetárias, cambiais e fiscais, tornado a política fiscal fortemente anticíclica, algo que pode ser uma verdadeira revolução na condução macroeconômica, assegurando que não vamos mais cair na já conhecida tendência de sempre ter os juros e o cambio como “variável de ajuste” em momentos de relativa melhora. Temos que criar nova flexibilidade no orçamento publico, trabalhar para desvincular gastos e começar um processo progressivo de trocar gastos correntes por investimentos, e não só aumentar gastos.

 

 Do lado micro temos que repensar a política industrial. Hoje ela é difusa e “captada” por setores que nem de longe apresentam as maiores perspectivas de crescimento, mas sim seu poder de lobby. Temos que criar mecanismos de escolher os setores certos, e concentrar recursos neles de forma agressiva.  É ridículo dar apoio estatal as grandes empresas maduras com pouco conteúdo tecnológico. Temos que ter a coragem de taxar uma Vale e dar esse recursos para uma empresa “star-up” de software. Temos que ter a coragem de taxar as exportações dos setores primários da economia e apoiar setores onde podemos com boas chances construir vantagens competitivas.

 

Então que infelizmente tudo pode ficar como esta pode ate ser o resultado final, mas que ninguém venha com papo que isso é por falta de propostas concretas.

 

Tony Volpon

Comentários(18)

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