Os números do PIB do primeiro trimestre deste ano vieram melhores do que esperado, mas mostram uma economia “dividida no meio” e com um processo de recuperação ainda em questão.
Podemos perceber isso olhando a comparação entre os dados do ultimo trimestre contra as do segundo trimestre de 2008, o trimestre antes da crise. Vemos que enquanto o crescimento do consumo ainda se manteve em território positivo (+0.78%), e os gastos do governo tiveram o melhor desempenho (+2.65%), os investimentos tiveram a pior queda desta década, caindo -17.34%, como as exportações (-20.58%) e as importações (-20.91%).
Isso mostra que a “aposta” de sustentar a economia via consumo por ora esta funcionando. Os aumentos nas transferências, no salário mínimo e os cortes de impostos sobre consumo funcionaram. O que certamente não esta funcionando é o PAC e a tentativa de impulsionar os investimentos via os bancos públicos (lembram dos “R$100 bilhões” do BNDES?)
Isso é bom ou ruim? Do ponto de vista de gerenciamento do ciclo, manter o consumo impulsionado ajuda o setor provado a mais rapidamente trabalhar seu excesso de estoques, o que ajuda amenizar e acelerar o ajuste do lado da oferta. Mas deve ficar claro que sem aumento nos investimentos e na demanda externa, que os fundamentos de renda e do emprego vão piorar ao longo do tempo, independente de todo a malabarismo redistribucionista do governo.
Porem só podemos afirmar que já vimos “o fundo do poço” na economia brasileira se a economia internacional de fato se recuperar, o que vai impulsionar os investimentos e a demanda externa. Se o atual otimismo dos mercados se provar uma miragem, não vamos ver a volta dos investimentos de forma a sustentar o consumo nos patamares ainda elevados em que se encontram.
Finalmente, podemos ver nesses números o porque da ainda alta popularidade do governo Lula. Mantendo o consumo intacto, não há porque sua popularidade cair. Se isso vai continuar agora depende na ainda frágil recuperação internacional.
Tony Volpon
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