Comentário - Desde o início de nossa postagem no Blog e depois no Portal, sempre tratamos da relação entre a responsabilidade de informar das autoridades e a reação de indivíduos, famílias e empresas. Nesse debate houve mesmo economistas e instituições que defenderam abertamente a mentira como estratégia de política pública "positiva". Nosso ponto sempre foi a assimetria aos acesso das informações tendo em vista o Estado e o cidadão e como essa assimetria pode ser manipulada pelo gestor público a seu favor e contra a cidadania. Evidentemente se nossa luta é por um Estado sempre mais democrático e democratizado, evidentemente também, ela passa por criticar o uso da informação como instrumento de poder. O monopólio e a manipulação da informação tem a haver diretamente com a questão da confiança tal como ela é abordada nesse pequeno post de César Maia, em seu Ex-blog. Confiram.
Demetrio Carneiro
CONFIANÇA: CAPITAL INTANGÍVEL E FUNDAMENTAL!
Trechos do artigo de Daniel Gustavo Montamat, doutor em economia, direito e sociologia, em La Nacion 01/07. Trata da crise argentina de longo prazo. Mas serve como um vetor preventivo para o Brasil, onde o presidente vai usando esse capital por conta de sua popularidade. Em que ponto vai ferir o capital-confiança?
1. Confiança não se reduz a fórmulas matemáticas. A perda de confiança tem efeitos sistêmicos, debilita as instituições, afeta a política, a economia e carcome o tecido social. Não é fácil restaurar, por se haver destruído, um ativo intangível como a confiança. A recuperação econômica em si, termina ocorrendo. Mas a que prazo e que custo? O mais complicado é recriar confiança, e isso não se soluciona com nenhum diferencial de taxas de risco. Como sociedade, devemos ter consciência de que há anos temos consumido confiança sem repô-la. Esta descapitalização intangível tem conseqüências nefastas e é responsável por nosso declínio no contexto das nações. O verdadeiro significado de confiar, vai mais além do cálculo racional.
2. Confiar, nos recordam os autores de "Animal Spirits" (Princeton University Press), os economistas George A. Akerlof (outro prêmio Nobel) e Robert J. Shiller, é tomar decisões descartando ou dando por descontada certa informação. Onde prevalece esta confiança sistêmica, as pessoas investem, compram e participam sem ler a bula. Onde reina a suspeita, as pessoas não participam, se retiram, desconfiam, e não creem, ainda que leiam a bula. Akerlof e Shiller recordam o efeito multiplicador do gasto (Keynes) e usam o conceito de "efeito multiplicador da confiança" da sociedade. A confiança sustenta, retroalimenta as transações em sucessivas rodadas e multiplica os negócios aumentando o bem estar. A desconfiança, pelo contrário, opera como um multiplicador negativo; amplifica seus efeitos destrutivos.
3. Quando uma sociedade investe em confiança, consolida suas instituições, coesiona sua gente e promove o desenvolvimento econômico e social. Quando uma sociedade destrói este capital invisível, declina e se degrada em todos os seus elementos.
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