Se o acordo feito entre a oposição e um José Sarney fragilizado pelas denúncias de desmandos no Senado for cumprido, hoje será instalada a CPI da Petrobras, e, mais uma vez, testa-se na prática a máxima de que nunca se sabe ao certo como essas comissões de inquérito terminam. Em princípio, o Palácio não tem o que temer: dos 11 senadores da comissão, oito são da base governista, mais do que suficiente para controlar os trabalhos e conter a legítima curiosidade dos oposicionistas em conhecer a intimidade da administração da estatal, convertida na era Lula em símbolo do aparelhamento seja por razões de fisiologia político-partidária, por ideologia pura e/ou afinidades entre companheiros militantes sindicais.
Mas, se pudesse, o Planalto deixaria esta CPI mofando nas gavetas. Não fosse o presidente do Senado ser obrigado a ceder à oposição, e prometer instalar a CPI como maneira de aliviar parte da pressão que enfrenta, era provável que a oposição tivesse mesmo de recorrer ao Supremo para obrigar a Mesa a colocar a comissão para funcionar. O governo sabe dos riscos de uma CPI, por mais sob controle que ela esteja.
Ainda deve causar calafrios em Palácio a lembrança da CPI dos Correios, no primeiro mandato de Lula, quando foi possível mapear a "organização criminosa" do mensalão, o esquema de bombeamento de dinheiro ilegal para partidos aliados. (...)
Fonte: Blog do Noblat
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