Do ponto de vista ambiental e relacionado com a crise a primeira coisa que me vem a mente é a declaração da Primeira-Ministra alemã, logo no início, dizendo algo como: crise não é lugar para frescuras ambientais. Se tivermos que investir em tecnologias não muito amigáveis com o meio-ambiente, mas que sustentem a produção é o que faremos.
De fato não deu outra.
Todos, sem exceção, jogaram recursos orçamentários nestas indústrias sob a alegação que geram empregos imediatos. O déficit dos países centrais deu um salto razoável. Não apenas nacionalmente, mas globalmente, parece que esta questão de paradigmas está muito longe de ser uma vontade coletiva. O que tivemos foi uma confirmação dos processos que criticamos.
O debate do pós-crise visto como a "oportunidade para mudanças" naqueles círculos decisórios ligados ao poder real, que é o que move as coisas, está muito longe de mudanças reais, pelo menos na direção para a qual olhamos.
Quando fui à Câmara Federal, falar na sessão da Comissão Geral sobre a crise, o que deu para ver foi todos os nossos "peso pesados" com discursos supostamente inovadores, pregando as novas oportunidades, mas falando as mesmas coisas de sempre e confirmando os atuais paradigmas. A minha fala foi justamente contra estas falas. Quando terminei todos na mesa ficaram me olhando. Uma três pessoas aplaudiram e até agora apenas um conhecido meu, assessor do, pasmem, PFL, me disse ter concordado com os argumentos da contra-posição. Estou aguardando pacientemente a transcrição das falas. Pretendo ainda fazer um estudo mais preciso sobre o que está dito lá. Acho que servirá como um bom exemplo do que pensa o poder real brasileiro.
O processo industrial voltado para a indústria manufatureira tem décadas de "eficiência" gerando empregos e renda. As mudanças políticas necessárias para uma revisão das políticas públicas e mesmo as privadas, não ocorrerão no curto prazo. Indivíduos não costumam trocar o presente pelo futuro sem motivações muito fortes. Talvez liderar este processo seja uma tarefa desta que se supõe " esquerda revisada" ou lá o nome que tenha. É muito improvável que as mudanças necessárias ocorram de forma natural, por si próprias. Não há nada que aponte o processo civilizatório, como já pensamos, como uma caminha em direção ao melhor moldada pelo conjunto de condições objetivas. O que os fatos têm demonstrado, contra o pensamento tradicional da esquerda, é que as condições subjetivas têm enorme influência.
O que estamos sempre chamando a atenção é para a inexistência deste debate, posto de lado por "outras" questões. Chamamos a atenção para sua prioridade estratégica e para os nexos de ligação entre coisas diversas como: Estado, desenvolvimento, políticas púbicas, ação pró-ativa dos partidos políticos, mobilização das sociedade civil etc.... De outro lado, como percebo as coisas hoje, o "estar" no Estado será condição insuficiente para estas mudanças que não dependem apenas da "vontade de Estado", mas da vontade da sociedade. Neste projeto a iniciativa privada não pode ser vista como um obstáculo ou como um bando de carneirinhos a ser conduzido pelo aparelho do Estado ao melhor dos mundos. Se houve algum tipo de evolução em direção a uma maturidade ela terá que se manifestar e se apresentar em propostas muito mais sólidas do as atuais.
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